segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Conceitos essenciais no pensamento crítico

Nesta semana comecei a fazer um curso à distância oferecido pela Universidade de Edinburgo. O curso é gratuito e de muito boa qualidade, tenho gostado tanto que irei compartilhar aqui conceitos simples (já tenho feito isso pelo Facebook, mas farei aqui de forma mais organizada), contudo não menos importantes e que os apaixonados pela ciência não podem se dar o luxo de esquecer. O título do curso é Pensamento Crítico frente aos Desafios Globais. Na primeira semana, estudamos sobre conceitos essenciais no pensamento crítico. A ideia do curso pode ser assim resumida:


Neste curso introdutório sobre o pensamento crítico, esperamos que você desenvolva e melhore suas habilidades para pensar criticamente, avaliar as informações a partir de uma variedade de fontes e desenvolver argumentos fundamentados no contexto dos desafios globais que a sociedade enfrenta hoje.

Um dos primeiros conceitos estudados, foi o conceito de fato. O fato é algo que pode ser demonstrado como verdadeiro. Temos também o conceito de afirmação, que trata-se de algo que é tido como verdadeiro, mas não tem sido ou não pode ser comprovado como verdadeiro. Completando os blocos iniciais do pensamento crítico, temos a opinião que trata-se de algo que se acredita ser verdadeiro por aquele que fala ou escreve, mas que pode ou não ser partilhada por outras pessoas. Vejamos alguns exemplos:

FATO: As espécies possuem a capacidade de adaptação ao meio em que vivem.
AFIRMAÇÃO: O conjunto de adaptações acumulados com o passar do tempo pode desenvolver órgãos complexos nas espécies.
OPINIÃO: A evolução darwiniana é a melhor forma de explicar o desenvolvimento da vida na Terra.

De posse deste entendimento, podemos prosseguir. O próximo conceito é o da teoria, que se refere a nossa melhor forma de explicar algo no mundo natural com base no que temos atualmente sei. Ou seja, uma teoria é uma explicação com base em nossa atual compreensão do mundo natural. A teoria não é algo fixo e imutável: ela pode com o tempo evoluir e melhorar, à medida que descobrimos novos fatos sobre o mundo natural.

O valor e a utilidade de uma teoria são medidos apenas pela forma como ela corresponde com a realidade. Várias teorias diferentes podem tentar explicar aspectos singulares do mundo natural. Sendo assim, como podemos julgar quão boa uma teoria é? Há dois requisitos essenciais para uma teoria viável:

  • Uma boa teoria é apoiada por evidência a partir de nosso conhecimento atual sobre o mundo natural;
  • Uma boa teoria deve possuir predições testáveis. 
A hipótese é um em predição baseada numa teoria, que pode ser verificada como sendo correta ou incorreta.

O valor e a utilidade de uma teoria são medidos apenas pela maneira como a teoria corresponde com a realidade: hipóteses (ou predições) com base em uma boa teoria deverá ser consistentemente provada correta. Se uma teoria produz uma hipótese que está incorreta, então:
  • Ou a teoria deve mudar e evoluir, a fim de corresponder com a realidade;
  • Ou, se a teoria não pode mudar, desta forma, deve ser descartada e uma nova explicação deve ser encontrada.

A natureza e importância das evidências
  1. Opiniões, fatos e afirmações se unem para formar uma teoria.
  2. Uma teoria deve produzir hipóteses testáveis.
  3. As hipóteses necessitam de evidências para manter sua viabilidade.

As evidências:
  • Podem dar suporte a uma hipótese e refutar outra. 
  • Podem provocar uma revisão ou o surgimento de uma nova hipótese que pode ser testada novamente.
  • Podem ser inconclusivas, de modo que nenhuma conclusão definitiva possa ser feita.
  • Pode refutar as hipóteses, de modo que a teoria precisará ser revista ou descartada.
A evidência é a prova (fatos, experimentação, resultados, observações) que dão suporte ao argumento. Um argumento é um conjunto de instruções lógicas, levando a uma conclusão justa, com razões oferecidas para apoio a conclusão. A conclusão é uma inferência ou dedução fundamentada a partir da lógica do argumento. Também é a habilidade de apresentar seus próprios argumentos de forma persuasiva e de maneira lógica, inclusive para ouvir e levar em consideração o argumento de outros.

— Prof. Mayank Dutia. Critical thinking: Essential concepts. in: Critical thinking in Global Challenges, The University of Edinburgh, ago. 2013. Disponível em: <https://d396qusza40orc.cloudfront.net/criticalthinking/1.1.pdf> Acesso em: 20 jan. 2014.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Homens das cavernas "não eram tão diferentes de nós", afirma antropólogo evolucionista

Representação ilustrativa da espécie Homo neanderthalensis ou homem de Neandertal

Em artigo recente sobre o "homem primitivo", publicado na Revista Ciência Hoje (edição online), Henrique Kugler [1], autor da publicação afirma:

"Sepultura de um homem de Neandertal reforça a ideia de que essa espécie primitiva desenvolveu um comportamento simbólico mais sofisticado do que se imaginava: eles enterravam intencionalmente seus mortos."

E continua:
"Se você pensa que o homem de Neandertal era apenas um ogro rude e primitivo, talvez seja hora de reconsiderar seu juízo. Segundo estudo recém-publicado, o Homo neanderthalensis parece ter sido protagonista de um comportamento simbólico deveras complexo – bem mais sofisticado do que se supunha até então."

"O Homo neanderthalensis é o arquetípico ‘homem das cavernas’, define a Enciclopédia Britânica. Viveu entre 300 mil e 35 mil anos atrás – apesar de essas datas ainda serem tópico de disputa. Ao que tudo indica, ocupou territórios na Europa e na Ásia central. O nome Neandertal é uma referência ao Vale de Neander, próximo a Düsseldorf, na Alemanha – onde, no ano de 1865, o primeiro remanescente dessa antiga espécie fora encontrado. Fisicamente, era muito parecido com o Homo sapiens.
Acredita-se, aliás, que as duas espécies tenham coexistido em algum momento. Mas, por razões que ainda ocupam o terreno da especulação, os neandertais foram extintos – enquanto ao Homo sapiens o destino reservou melhor sorte. 'Há 50 mil anos, os neandertais foram os únicos habitantes da Europa', conta Beauval à CH On-line. 'Até a década de 1980, eles eram considerados hominídeos ‘brutais’; mas estudos recentes mostram que eles usavam pigmentos, colecionavam conchas e, como demonstramos agora, dedicavam tempo a cuidar de seus mortos.' Para Beauval, tudo indica que eles tinham uma capacidade cognitiva complexa. 'Esses dados atestam que os neandertais não eram tão diferentes de nós.'"

De acordo com o Museu Nacional de História Natural Smithsonian [2], o Homo neanderthalensis, viveu entre 200.000 e 28.000 anos atrás segundo a cronologia evolucionista e ocupou a Europa e Sudoesta da Ásia Central. O site ainda afirma que:

"[...] são o nosso parente extinto humano mais próximo. [...] Seus corpos eram mais baixos e atarracados que a nossa, outra adaptação à vida em ambientes frios. Mas os seus cérebros eram tão grande como o nosso e, muitas vezes maior - proporcional ao seu corpo musculoso. Neandertais elaboraram e utilizaram um conjunto diversificado de ferramentas sofisticadas, fogo controlado, viveram em abrigos, usavam roupas confeccionadas por eles mesmos, eram caçadores habilidosos de animais de grande porte e também comiam alimentos de origem vegetal, e, ocasionalmente, construíam objetos simbólicos ou ornamentais. Há evidências de que os neandertais deliberadamente enterravam seus mortos e, ocasionalmente, até mesmo marcando suas sepulturas com oferendas, como flores [como fazemos hoje]. Não há [evidência deste comportamento em] outros primatas, e nenhuma espécie humana anterior, já tinha praticado este comportamento sofisticado e simbólico."
Da esquerda para direita: Australopithecus, Paranthropus, Homo erectus, Homo heidelbergensis, Homo neanderthalensis e H. sapiens.

Voltamos agora ao artigo da Revista Ciência Hoje, mencionado inicialmente, onde lemos:

"Pesquisadores franceses e norte-americanos confirmaram, em escavações conduzidas entre 1999 e 2012, que uma sepultura do sítio arqueológico de La Chapelle-aux-Saints, na França, foi de fato construída intencionalmente. 'Os novos dados reforçam clamores segundo os quais havia, sim, comportamento simbólico complexo entre os neandertais da Europa ocidental'. A constatação elucida um antigo debate. 
'Céticos argumentavam que os supostos ‘cuidados’ que os neandertais tinham com seus mortos eram fruto de interpretações equivocadas, baseadas em escavações antigas e metodologicamente inadequadas', contextualiza o arqueólogo Cédric Beauval, da empresa de arqueologia Archéosphère, em Bordeaux (França). Ele foi um dos autores do estudo, publicado no periódico estadunidense Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e liderado pelo arqueólogo William Rendu, do Centro Internacional de Pesquisas em Humanidades e Ciências Sociais (Cirhus), em Nova York (EUA). 'Os novos dados reforçam clamores segundo os quais havia, sim, comportamento simbólico complexo entre os neandertais da Europa ocidental', lê-se no artigo. Ao longo do último século, foram reportadas mais de 40 estruturas arqueológicas assemelhadas a sepulturas neandertais na Europa e na Ásia. 'Algumas delas', diz o estudo, 'refletem práticas funerárias complexas'."

A pressão do paradigma evolucionista em conferir maior primitividade às formas humanas encontradas no registro fóssil é também evidenciada no parágrafo acima, na referência aos céticos. Estudos e mais estudos demonstram em uníssono que os homens primitivos não eram tão primitivos quanto pensávamos (ou quanto a visão materialista-evolucionista nos ensinou a "ver") e nem todas interpretações respeitam aquilo que evidência aponta (sobre isto, leia aqui).

O artigo original publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) [3], diz:

"Durante várias décadas, os estudiosos questionaram a existência de sepultamento na Europa Ocidental, antes da chegada de humanos anatomicamente modernos. Portanto, uma abordagem que combina uma recuperação campo global e o reexame dos restos de neandertais descobertos anteriormente foi realizada no site de La Chapelle-aux-Saints (França), onde a hipótese de um enterro Neandertal foi levantada pela primeira vez. Este projeto concluiu que o Neandertal de La Chapelle-aux-Saints foi sepultado em uma cova cavada por outros membros do seu grupo e protegido por uma cobertura rápida de qualquer perturbação. Estas descobertas atestam a existência de enterro Neandertal da Europa Ocidental e da capacidade cognitiva Neandertal para produzi-lo."
Sítio arqueológico de La Chapelle-aux-Saints, na França. A análise de uma sepultura neandertal encontrada no sítio confirma que ela foi construída intencionalmente. (foto: cortesia de Cédric Beauval; fonte: Revista Ciência Hoje).

O artigo da Revista Ciência Hoje apresenta quase no fim a seguinte e interessante declaração:
"Até a década de 1980, os neandertais eram considerados hominídeos ‘brutais’, mas os dados mostram que eles dedicavam tempo a cuidar de seus mortos."

O Museu Nacional de História Natural Smithsonian, reconhecido e respeitado por cientistas, conclui:

"Não sabemos tudo sobre nossos ancestrais. [...] Existe uma estreita correlação entre as mudanças climáticas e a extinção dos neandertais [...]."

CONCLUSÃO

Cédric Beauval, antropólogo evolucionista e um dos pesquisadores responsáveis pela escavação do sepulcro Neandertal, afirma que este grupo denominado de "primitivos" (ou "homem das cavernas") possuíam hábitos muito semelhantes aos nossos, reduzindo ainda mais o espaço que antes existia entre estas duas "espécies".

De acordo com a cronologia bíblica, o homem de Neandertal não se trata de uma espécie de animal e nem de outra espécie de ser humano, mas simplesmente de um grupo de seres humanos conhecidos como "antediluviano" por terem vivido no período anterior ao dilúvio global descrito no livro do Gênesis. Pontos que parecem favorecer esta teoria:

  1. CONVIVERAM COM OS SERES HUMANOS MODERNOS: Uma vez que apenas uma família (a de Noé) tenha escapado de uma catástrofe que exterminou toda população humana da Terra, é razoável supor que filogenéticamente todos os seres humanos atuais tenham herdado características muito semelhantes. A Bíblia afirma que todos nós somos descendentes ou de Cam, ou de Sem ou de Jafé, filhos de Noé. Podemos sugerir aqui que o que a cronologia evolucionista denomina como espécie Homo sapiens sejam características herdadas de Noé.
  2. UM FENÔMENO NATURAL CAUSOU-LHES O FIM DA EXISTÊNCIA: O dilúvio causou não apenas a extinção de toda espécie humana na Terra, com exceção da família de Noé, mas também provocou intensa mudança na atmosfera, geologia e hidrografia da Terra. Uma nova conformação da Terra foi produzida após esta catástrofe global. O meio ambiente foi modificado e, ainda que outros humanos tivessem conseguido sobreviver, teriam a necessidade de se adaptar a um novo mundo, muito diferente do que estavam habituado.
  3. PRATICAVAM O CASAMENTO ENTRE IRMÃOS: Em estudo publicado na Nature este mês, pesquisadores apresentaram sequência genômica completa de uma mulher Neandertal da Sibéria [4]. Este estudo afirma que os pais desta mulher "estavam relacionados ao nível do meio-irmãos e que o acasalamento entre parentes próximos era comum entre os seus antepassados ​​recentes". Em Gênesis 4:17 diz: "E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho." Quem era a esposa de Caim uma vez que a Bíblia diz que ele era filho de Adão e Eva e só tinha um irmão Abel, a quem ele assassinou? A Bíblia mesmo esclarece o assunto. Em Gênesis 5:4 diz que "viveu Adão oitocentos anos; e teve filhos e filhas. Os dias todos da vida de Adão foram novecentos e trinta anos; e morreu." Percebeu? Caim e Abel não foram os únicos filhos de Adão e Eva, foram sim os mais famosos por causa do assassinato (vale lembrar que isto nunca tinha acontecido na Terra até então). Adão viveu 930 anos, quantos filhos e filhas não deve ter gerado? O suficiente para possibilitar que seus filhos e filhas se casassem e, vivendo bastante tempo como o pai, dessem origem a cidades inteiras. De onde os Neandertais receberam a influência deste costume?
Certamente, as ideias propostas acima são apenas teorias e carecem de maior estudo sobre o assunto.


REFERÊNCIAS
  1. Henrique Kugler. Decanse em paz. Revista Ciência Hoje, 06 jan. 2014. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/01/descanse-em-paz> Acesso em: 14 jan. 2014.
  2. Smithsonian National Museum of Natural History. Human evolution evidence: Homo neanderthalensis. Disponível em: <http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/homo-neanderthalensis> Acesso em 14 jan. 2014.
  3. William Rendu; Cédric Beauvalc; Isabelle Crevecoeurd et al. Evidence supporting an intentional Neandertal burial at La Chapelle-aux-Saints. PNAS, doi: 10.1073/pnas.1316780110. Disponível em: <http://www.pnas.org/content/early/2013/12/12/1316780110.abstract> Acesso em: 14 jan. 2014.
  4. Kay Prüfer; Fernando Racimo; Nick Patterson et al. The complete genome sequence of a Neanderthal from the Altai Mountains. Nature, v. 505, p. 43-49, 02 jan. 2014. doi:10.1038/nature12886. Disponível em: <http://www.nature.com/nature/journal/v505/n7481/full/nature12886.html> Acesso em: 14 jan. 2014.
P.S.: Ênfases acrescentadas
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